TRABALHO FINAL DA EJA
OBSERVAÇÃO
1. Como é a escola?
A Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Judith Macedo de Araújo possui cerca de 1100 alunos e localiza-se na
periferia de Porto Alegre. Conta com um prédio de dois andares, com salas de
aula, Laboratório de Informática (com apenas quatro computadores funcionando),
sala para robótica, sala para o LIAU (Laboratório de Inteligência do Ambiente Urbano),
sala de Laboratório de aprendizagem, SIR (Sala de Integração de Recursos), sala de Música e outra de Artes. Além
das citadas, há outras que são salas comuns a todas as escolas, como a de professores, SOE,
secretaria, etc. Todos os projetos ocorrem somente no período diurno, o que prejudica os alunos da EJA que não têm acesso a tecnologias e inovações. A EJA funciona somente no turno da noite e conta com cerca
de 180 alunos. As séries iniciais estão divididas em três etapas (totalidades),
sendo denominadas T11, T21 e T31. As turmas T11 e T21 foram unidas em função do
número de alunos (hoje há cerca de vinte alunos frequentes) e a T31 funciona
separadamente. Portanto temos apenas duas professoras atuando nas séries
iniciais da EJA. As turmas observadas foram a T11 e T21.
2. Quais os
ambientes/recursos disponíveis para serem utilizados na alfabetização em EJA na
sala de aula e na instituição com um todo?
A escola como um todo mantêm cartazes de boas vindas, de
incentivo a leitura, trabalhos de alunos. A professora tem em seu armário
jogos, alfabetos móveis e livros que usa como recursos para alfabetização.
3. Como era a sala de
aula?
A turma observada ocupa uma sala em que no turno da manhã mantém um quarto ano e a tarde um sétimo ano, então divide os espaços dos
murais. Há um alfabeto na parede, números, figuras. A sala possui bons
recursos visuais para a alfabetização.
4. Perfil da
educadora da turma?
A professora possui larga experiência em alfabetização e EJA
como um todo. Já atuou também como supervisora e orientadora e atualmente é
vice diretora de uma escola especial do município durante o dia. Tem larga
experiência em Educação Especial, o que lhe ajuda muito, pois na turma há
muitos casos de inclusão, mesmo que sem laudo.
5. Que temas foram
abordados na aula?
Lenda folclórica, leitura.
6. Que conteúdos
foram abordados? Que recursos foram utilizados nas aulas observadas?
Matemática, formação de palavras, interpretação da lenda. A
interpretação da lenda foi feita oralmente, pois a professora já havia lido na
aula anterior. A professora passou exercícios de matemática e desenhou objetos
pertencente a lenda para os alunos escreverem as palavras. Após ter dado um
tempo para os alunos fazerem as tarefas, a professora resolveu os exercícios no
quadro em conjunto. Foram usadas canetas coloridas, destacando os aspectos mais
importantes. Houve um momento de leitura quando os alunos receberam livros para
lerem.
A lenda contada pela professora e discutida pelos alunos foi a Lenda de Obirici. Depois trabalharam palavras sobre a lenda, como: índio, pagé, oca, aldeia, obirici,... A professora fez desenhos no quadro e eles deveriam escrever as palavras. Também fizeram um ditado das palavras.
Os exercícios de matemática eram assim:
A lenda contada pela professora e discutida pelos alunos foi a Lenda de Obirici. Depois trabalharam palavras sobre a lenda, como: índio, pagé, oca, aldeia, obirici,... A professora fez desenhos no quadro e eles deveriam escrever as palavras. Também fizeram um ditado das palavras.
Os exercícios de matemática eram assim:
7. Como o educador
abordava os temas e conteúdos trabalhados? Como se dava a avaliação da
aprendizagem?
A abordagem do tema já foi descrita na resposta anterior. A
professora olhou os cadernos individualmente para avaliá-los.
8. Como era
estabelecido o diálogo entre educadora e educandos?
A turma é composta por uma grande diversidade de idades
entre os alunos. Há queixas constantes por parte dos alunos mais velhos pela
conversa dos mais novos. A professora precisa mediar estes conflitos quase que
constantemente, e faz isso com muita firmeza. Mesmo assim, foram aulas com
muito senso de humor, pois os alunos e a professora têm um relacionamento
carinhoso e sentem-se a vontade para expressarem-se de diversas formas. Muitas
falas engraçadas foram ouvidas nas observações.
9. Quais as
considerações do grupo sobre os caminhos metodológicos adotados pela educadora?
Hara (1992) relata que há uma a escassez de pesquisas, materiais e formações referentes a alfabetização, o que faz com que muitos educadores utilizarem metodologias de alfabetização inadequadas. Contudo, felizmente, as turmas T11 e T21 contam com uma professora que possui experiência em alfabetização, EJA e Educação Especial, proporcionando metodologias adequadas para os seus alunos.
A partir das observações foi possível notar a presença do vínculo afetivo da professora com a turma. Lopes (1991, p. 46) destaca que “as virtudes do professor que consegue estabelecer laços afetivos com seus alunos repetem-se e intrincam-se na forma como ele trata o conteúdo e nas habilidades de ensino que desenvolve.”
Quanto a união das turmas T11 e T21 percebe-se o descaso político que a EJA recebe do município de Porto Alegre. Infelizmente é comum a união de turmas de EJA para que se alcance o número mínimo de alunos por turma, contudo isso pode prejudicar o progresso da turma, assim como demandar mais atividades a professora responsável. A professora deverá realizar planejamentos distintos para os estudantes das respectivas totalidades.
Acreditamos que há falta de um trabalho mais coletivo, em que os alunos se envolvam e compartilhem seus conhecimentos. A avaliação individual é necessária para vislumbrar em que nível o aluno se encontra e acompanhar seu crescimento, mas a discussão e ampliação do conhecimento através da interação com o outro seria muito produtiva. Uma abordagem significativa, em que a professora fizesse uma ação de permuta entre as várias idades existentes na turma aproximaria os alunos e poderia render boas experiências. Poderia ser uma solução para o problema das conversas constantes e fim para as queixas e problemas existentes. Contudo, a turma conta com alunos com necessidades especiais de aprendizagem, que mesmo sem laudo faz com que a professora acabe individualizado o atendimento, ou aproximando as dificuldades por núcleos de atendimento.
Ressaltamos a inexistência da inclusão digital, que seria importante para o desenvolvimento dos alunos da EJA, acesso a internet para pesquisas, a robótica, entre outros projetos citados anteriormente. O descaso com a alfabetização de adultos, ou com a educação dos adultos de uma forma geral, acarreta um problema para o governo, que não quer investir nessa área. Não há sala de recursos multifuncionais, no período noturno, para atendimento dessa demanda e nem professor de apoio para auxiliar a professora titular na alfabetização do aluno com laudo.
Também, observamos que não há referência a questões voltadas para o interesse dos alunos, os assuntos são previamente escolhidos pela professora, o que revela o caráter meramente acadêmico de ensino/aprendizagem instituído pela escola desde seus primórdios. No entanto, observamos o empenho da professora em utilizar da melhor forma possível o material que tem a sua disposição. Pela grande demanda da turma em razão do aluno de inclusão e união das etapas a professora fica sobrecarregada e passa por muitas dificuldades para progredir com as turmas.
10. Quais outras
considerações que o grupo poderia tecer sobre o espaço/práticas de
alfabetização observadas?
Hara (1992) identifica a nossa sociedade como
excludente e “marginalizadora” de uma
parte da população. Em sua maioria a população que é excluída das escolas é
pobre, e não vê a educação como prioridade naquele determinado momento, pois
questões como alimentação e habitação são superiores à educação. A partir da
análise do perfil da turma, que é composta por adultos de diferentes idades
e consequentemente comportamentos e interesses diferentes, percebe-se que o processo
de alfabetização é buscado por jovens, adultos e idosos.
A alfabetização não é um processo de memorização decodificação de palavras que estão escritas em um papel. É um ato de conhecimento, que desenvolve habilidades pedagógicas, e de análise crítica do mundo, onde o alfabetizando é sujeito ativo do e no processo de alfabetização (FREIRE, 1994, p. 163 apud BORGES, 2016).
É uma construção social que permite a ampliação das possibilidades de vida e de liberdade humana. Ao mencionar liberdade, é possível relacionar com o conceito empoderamento, um ato social e político que está profundamente ligado com a conscientização.
Nosso grupo se questiona com relação a preocupação dada aos alunos do noturno, pois o acesso às tecnologias e inclusão digital seria de suma importância para essas pessoas, que muitas vezes trabalham em locais com esses equipamentos que não fazem parte de seu cotiano escolar. Ou muitas vezes deixam de progredir em sua vida funcional por falta de conhecimento e medo de utilizar tecnologias que desconhecem.
A alfabetização não é um processo de memorização decodificação de palavras que estão escritas em um papel. É um ato de conhecimento, que desenvolve habilidades pedagógicas, e de análise crítica do mundo, onde o alfabetizando é sujeito ativo do e no processo de alfabetização (FREIRE, 1994, p. 163 apud BORGES, 2016).
É uma construção social que permite a ampliação das possibilidades de vida e de liberdade humana. Ao mencionar liberdade, é possível relacionar com o conceito empoderamento, um ato social e político que está profundamente ligado com a conscientização.
Nosso grupo se questiona com relação a preocupação dada aos alunos do noturno, pois o acesso às tecnologias e inclusão digital seria de suma importância para essas pessoas, que muitas vezes trabalham em locais com esses equipamentos que não fazem parte de seu cotiano escolar. Ou muitas vezes deixam de progredir em sua vida funcional por falta de conhecimento e medo de utilizar tecnologias que desconhecem.
LOPES, Antonia (et al).
Repensando a didática. São Paulo. Papirus, 1991.
HARA, Regina. Alfabetização
de adultos: ainda um desafio. 3. ed. São Paulo: CEDI, 1992.
BORGES, Liana
da Silva. Alfabetização. In: STRECK, Danilo R; REDIN, Euclides
Redin, ZITKOSKI, Jaime José. Dicionário
Paulo Freire. Belo Horizonte: Autêntica Editora. 2016. 3a edição

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